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segunda-feira, abril 16, 2012

Ella, em pessoa: a voz

Hoje é dia mundial da voz. Parabéns a todos os meus amigos e amigas que cantam, entoam, narram, declamam e usam a voz de forma criativa e bela. E nada melhor para marcar esta data do que ouvir Ella, a voz em pessoa. Enjoy!

sábado, julho 25, 2009

Música de Vanguarda



Vanguart (2007)
Vanguart

Quem me conhece há algum tempo sabe que eu tenho um defeito (dentre vários) que trás consequências desagradáveis pra quem me cerca. Eu gosto de música de vanguarda. O que é isso? É aquele tipo de música que é feita muitas vezes por pseudointelectuais, visando a romper com a estética predominante, aquele papo cabeça. Tipicamente, esse tipo de música cai no esquecimento alguns meses depois de aparecer.

No caso do Vanguart, banda matogrossense cujo nome já diz mais ou menos a que veio (referência à estética de Andy Warhol), talvez o futuro seja diferente. Ou não. Eles fazem um som honesto, com personalidade. Vi os caras na MTV, em programas que abrem espaço para comentários da banda, com apresentações ao vivo. O que me chamou a atenção não foi exatamente a qualidade técnica, nem o estilo, tampouco a inovação (até porque as bandas de vanguarda atualmente são sempre meio Los Hermanos). O diferencial foi a autenticidade. Eles não apenas se levam a sério como acreditam mesmo no que fazem como sendo bacana. E considerando que o meio pop é repleto de bandas com problemas de autoestima, ter essa autoconfiança é no mínimo diferente. Além disso, o fato de virem a público com repertório original em três idiomas é também inovador. Não fazem versões, mas criam em Português, Inglês e Espanhol. Aqui, um comentário sem maldade, mas sincero: o Espanhol do Helio Flanders me parece meio fajuto, mas vá lá.

As canções que prefiro (e, neste caso, estou alinhado com a crítica) são Semáforo (anterior ao álbum, de 2002) e Los Chicos de Ayer (não encontrei link). Vale a pena pra quem não liga de ter de insistir um pouco pra conseguir gostar de uma música.

terça-feira, março 10, 2009

Vamos começar colocando um ponto final... na Índia

Esse título genial não é meu, é do Paulinho Moska. Roubei a idéia pra dar continuidade e terminar um assunto iniciado antes, mas ainda não concluído. É sobre a minha opinião a respeito do filme indiano e da marmelada do Oscar.

No fim de semana passado, finalmente assisti ao filme Quem quer ser um milionário?, do Diretor inglês que se aproximou de Bollywood. Diferentemente da minha expectativa, admito que o filme é bem legal - tem boa história, foi bem filmado, bem editado. Ou seja, o filme é bom.

Agora, ainda na minha exclusiva opinião, it takes more than a good film to grab an Oscar. Fala sério! A história é boa mas não chega a ser original, pois recicla a ideia do filme Quiz Show (obrigado ao Pina por lembrar o nome do filme). Na película de 1994, no entato, havia trapaça de fato, o que não ocorre no filme angloindiano. O corte e o enquadramento das cenas são ótimos, mas os atores são sofríveis. As cenas de miséria, embora verídicas, me lembram aqueles filmes brasileiros que mostram informações também verdadeiras mas desnecessárias pro mundo. E, por fim, o filme nos faz torcer por um protagonista que fez muita coisa errada na vida e tem justamente na vida atribulada a explicação para sua verdade diante do programa. Só que eu me senti meio estranho torcendo por um garoto que roubou e tapeou um monte de gente pra sobreviver em meio a uma Mumbai caótica.

Quando fiz esses comentários para pessoas que viram o filme, ninguém refutou. Ao contrário, reconheceram de fato que não foi nem originalidade, nem primazia na atuação que causaram uma boa percepção sobre a trama. Foi apenas simpatia pela história e pelo personagem principal. E isso reforçou minha pergunta: mas então merecia 8 estatuetas? A resposta das pessoas foi "não lembro dos prêmios, talvez não tivesse nada melhor mesmo".

Acho que o argumento tem sentido, em princípio. O prêmio do cinema americano é mesmo comparativo: se não tem nada melhor concorrendo, leva a melhor o que não necessariamente é bom. Portanto, achei que deveria levantar a lista de prêmios e analisar cada troféu. Encontrei o seguinte:

(1) Melhor filme - Esta foi ridícula. Não vi Milk pra saber se o filme em si é bom, mas O curioso caso de Benjamin Button é muito mais filme no geral. Discordo da idéia de que o concorrente fosse bom apenas nos efeitos especiais. O conto original é genial, a adaptação foi muito feliz e o filme é de matar, deixando as pessoas pensando por muitas horas após o filme. Depois do Milionário só fiquei pensando em como estava tudo errado no Oscar. MARMELADA!

(2) Melhor direção - Dos concorrentes, acho o Ron Howard o melhor (Mente Brilhante, Codigo da Vinci). Neste ano, o páreo estava com o David Fincher (que também é muito bom, fez Seven, Clube da Luta). Entendo que tendo um azarão com baixo orçamento na corrida, a Academia ia puxar a sardinha pro inglês. Não acho que o Danny Boyle tenha sido tão mais genial que os competidores do ano. Ele foi mais eficiente e mais econômico. Se houvesse um prêmio por melhor otimização do capital investido, Danny seria o cara. Mas a melhor direção é questionável. O que acho que foi talvez brilhante no diretor é que ele transformou um bando de indianos medíocres em atores globais. Nesse sentido, vou apoiar a decisão. MERECIDO!

(3) Melhor roteiro adaptado - Na minha opinião, o melhor roteiro adaptado é o Curioso Caso. O conto orginal é fantástico e o roteiro adaptado se manteve à altura. Dizem que o livro do Milionário é muito bom também, mas não me parece que o roteiro tenha tido grandes desafios de adaptação, era apenas uma narrativa. A idéia deste prêmio é favorecer o maior esforço de adaptação. Ou seja, é difícil escrever uma história com um único personagem que anda contra o tempo e criar diálogos e situações plausíveis com os demais personagens. Já descrever uma história cronológica de um garoto que teve uma vida difícil me parece bastante parecido com o livro original. Acho que deveria entregar a estatueta para o autor do livro, não para o roteirista. Ou então, mandar por FEDEX para os EUA. MARMELADA!

(4) Melhor fotografia - Isto é um fato. A fotografia é mesmo boa. Simples, sem helicópteros e gruas gigantes, mas o posicionamento da câmera e sequência de imagens é muito interessante. As cores também são muito importantes no corte e dividem as narrativas do filme: uma parte ágil e moderna, falando sobre o programa; uma parte dura com cara de denúncia, para contar a história do protagonista e a realidade da Índia. Achei que A Troca era pário nesta categoria, mas aí não podemos questionar o mérito do indiano. MERECIDO!

(5) Melhor mixagem de som - A música é bacana, dá ritmo ao filme, mas não nada do outro mundo. Num ano típico, o prêmio teria ido para o Batman. Não foi absurda a indicação, mas rolou alguma mudança de critérios. Tanto foi assim, que o Batman ganhou melhor edição de som. Aliás, alguém endendeu por que inventaram este novo prêmio de mixagem?? Qual é a idéia? É premiar a melhor mistura de trilha incidental, música original e efeitos sonoros? Não tem muita sobreposição com os prêmios de trilha original, edição de som e melhor canção?? MARMELADA!

(6) Melhor trilha sonora - Se o que chama atenção no filme é a dinâmica que a trilha incidental proporciona, e isso não foi coberto na melhor mixagem, então tudo bem, realmente não havia concorrente melhor. Mas isso já não teria sido premiado na melhor canção ou na melhor mixagem?? Não é muito prêmio pra uma mesma coisa?? MARMELADA!

(7) Melhor canção - De novo??? A música era uma só. Na verdade eram várias, mas não havia trilha incidental hipercomplexa, nem uma grande composição. Apenas uma música adequada ao filme (aliás, bastante adequada). Mas isso deveria ser reconhecido na melhor trilha. Mas melhor canção?? Qual?? Aquela do final, na estação de trem, com aquela dancinha ridícula dos atores?? Poupe-me... O problema é que não dá pra criticar muito a escolha, afinal o filme estava concorrendo com ele mesmo!!! Sim, porque só haviam mais 2 competidores, um do próprio filme indiano, outro do Wall-e. Não dá pra dizer foi erro, portanto, mas ficou feio criar uma categoria com 67% de chance de vencer... MARMELADA!

(8) Melhor edição - Aqui eu acho que é verdade: a edição (corte) é ótima. Mas considerando que a atuação dos atores em si foi patética e que já premiamos o indiano por melhor roteiro (questionável) e melhor fotografia (fato), acho que o Diretor deve ter tido tempo de sobre pra se dedicar ao corte. De novo, me parece que estamos dando valor dobrado a uma mesma dimensão: o que salva o filme é a realmente edição e a fotografia. Pra que dar o premio de melhor Diretor então pro inglês?? Aqui acho que não foi marmelada, talvez erro de contagem... De qualquer forma, acho que este faz sentido. MERECIDO!

Bom, pra fechar meu argumento, basta dizer que o indiano era meio azarão, ninguém esperava tanto reconhecimento. Os próprios atores presentes faziam cara de espanto. Não sei dizer qual foi a causa pra esse exagero, se por causa de aproximação com a Índia, se por influência de acordos paralelos em andamento com produtoras indianas, se por mera empolgação com o curry. Talvez muitas novidades sobre a Índia tenham deixado o país em alta e influenciado a decisão do juri. Mas na minha opinião, a premiação foi exagerada em pelo menos 5 estatuetas.

Fato importante final: nada do que eu diga vai mudar o rumo da história, nem o reconhecimento deste filme. Mas pelo menos eu desabafei...

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

Dica de Carnaval: Cool Jazz



The Instrumentals (1999)
George Benson

Em pleno Carnaval, a festa mais celebrada por quase todo brasileiro, recomendo ouvir este álbum instrumental do guitarrista de jazz mais pop dos Estados Unidos. George Benson ficou famoso, para alguns, com o hit On Broadway e, para outros, com a "polêmica" envolvendo o Jorge Bem.

Pra quem não lembra nem do George Benson, nem da polêmica, explico: o nosso malemolente compositor carioca, cujo nome artístico havia sido por décadas "Jorge Bem", alegou, na década de 80, quando estava passando por uma fase de ostracismo, que foi obrigado a mudar o nome para "Jorge BenJor", a fim de diferenciá-lo do guitarrista americano. Segundo Benjor, o flamenguista estaria perdendo vendas para o jazzista ianque, cujo nome, pronunciado rapidamente, parecia (segundo ele) o de Jorge Bem. Assim, pessoas que queriam comprar CDs do carioca, levavam por engano os hits do americano. Claro que isso foi uma grande mentira, mas ajudou Benjor a ressurgir das cinzas para gravar um CD meia-boca (Jorge 25) e desaparecer novamente logo em seguida.

Enquanto isso, George continuou com sua pouco conhecida carreira, gravando umas bobagens por aí. Este álbum que estou indicando para o Carnaval é um que foi lançado mais ou menos na época que o Benjor inventou a babozeira. E vejam que o "malicioso guitarrista" se aproveitou de mais um sucesso brasileiro. Ele grava Dinorá, Dinorá, de forma que nem mesmo o Ivan Lins seria capaz de reproduzir. Mas tudo bem, a gente continua escutando esse "ladrão de carreiras" assim mesmo. E mesmo durante o Carnaval...

domingo, fevereiro 15, 2009

Voz miltoniana



Renato Braz - Edição Especial 10 Anos (2008)
Renato Braz

Este cantor apareceu pra valer no cenário musical em 2002, quando venceu o segundo Prêmio Visa Edição Vocal. Chamava atenção sua voz, muito firme e afinada, com um timbre que lembrava o Milton Nascimento nos seus melhores dias.

Não conheço outros discos do cantor que eu sempre achei que fosse mineiro, mas descobri que é paulistano mesmo. Este CD de 2008, que é uma reedição, traz uma coletânea ótima de canções que mostram o melhor do intérprete. Pode parecer viadagem, mas fico arrepiado quando escuto Onde está você, que foi a canção vencedora do festival citado. Ele faz duas passagens a capela que são de eriçar o pêlo. Ok, o comentário foi meio boiola, mas ouçam e me digam se tenho razão ou não.

Do mesmo álbum, ainda valem muito a pena Mantiqueira, Anabela, Todo menino é um rei e Beatriz - estas duas últimas lembram demais a voz do Milton, podem checar.

E buscando algum link no youtube pra ilustrar a voz desse cantor encontrei uma cena bizarra. Parece uma apresentação intimista, em que o Renato Braz aparece de croque preto e meias rosas. Fica difícil prestar atenção na música sem rir, mas é uma interpretação ao vivo de Anabela - mas a do CD é muito melhor.

Um som mó louco



Do you like my tight sweater? (1995)
Moloko

Quem me conhece sabe que eu não sou exatamente um amante da música eletrônica, embora volta e meia eu encontre algo que me empolgue.

Neste caso, o álbum é bem antigo, de uma banda que é um duo na verdade, Moloko, meio Irlandês (ela), meio inglês (ele), e teve apenas duas músicas que fizeram sucesso.

A primeira foi graças a uma propaganda que veiculou na mídia no final da década de 90 (não lembro qual era a propaganda; se lembrar, deixe um comentário, please). A canção Fun for Me é a melhor referência para quem, como eu, não é grande conhecedor de música eletrônica. Os letrados em pistas e haves deverão reconhecer a banda Moloko por conta de outro hit, Sing it Back, que saiu mais perto do ano 2000 e virou sucesso nas baladas da Espanha.

O curioso é que a vocalista tinha um quê de Bjork sob efeito de ecstasy e um visual meio Elton John. Mesmo com o visual alternativo, nunca mais ouvi nada dessa dupla, nem ouvi tocar mais este hit antigo. Acho que esta era uma daquelas bandas de um sucesso só (ou dois).

sábado, fevereiro 14, 2009

Minha estréia foi com Medo de avião


Medo de Avião (1979)
Belchior

Belchior é um cantor-compositor cearense que pertencia ao mesmo grupo de músicos vindos de Fortaleza de que fazia parte o Fagner. Este último eu confesso que não suporto, nem como compositor, nem como intérprete. Mas pelo Belchior sempre tive simpatia e apreço, mais como letrista que como vocal.

O álbum Medo de Avião talvez não seja o preferido daqueles que conhecem a carreira desse cearense de bigodes, mas pra mim acabou tendo um valor diferente. Foi o primeiro LP que eu comprei por escolha própria, na loja de LPs que exisita no Carrefour da Marginal Pinheiros, próximo de casa. Eu tinha 7 anos na época, quem pagou o LP foi minha mãe, mas a escolha foi só minha - acreditem se quiserem!

Eu tinha ouvido a faixa título Medo de Avião cuja harmonia com baixo cromático e ar de Beatles tinha me deixado intrigadíssimo. Depois, acabei curtindo todas as canções, com destaque para Pequeno perfil de um cidadão comum e Comentario a respeito de John.

Eu gostava particularmente da faixa Brasileiramente linda, que não fez sucesso algum, mas a letra me intrigava, pois era escrita de uma forma gráfica diferente, que eu admirava e achava inovadora, sem saber que era uma ideia oriunda do concretismo brasileiro. Não encontrei na Internet o desenho da letra e já não tenho mais o LP pra poder scanear. Se alguém encontrar uma letra do Belchior que parece um poema do Haroldo de Campos, entenderá na hora a que me refiro.

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Novos rumos da palavra cantada



Rumo (Ao Vivo) (2006)
Grupo Rumo

Este som vai soar meio indigesto pra muitos, mas eu não posso deixar de recomendá-lo fortemente. Não é um som fácil pois foi concebido a partir de um conceito e não para agradar. Qual conceito? O de que é possível cantar de forma agradável sem afinação, desde que se garanta a entonação certa.

Uns garotos talentosos, que estudavam música na Escola de Comunicação e Artes da USP no final da década de 70, resolveram explorar o terreno da semiótica, da linguística (adeus, trema) e a relação dessas duas áreas com a música. Mas não fizeram tese acadêmica, não. Criaram o Grupo Rumo, que chegou a fazer algum sucesso, ainda que restrito a um pequeno grupo de meio intelectuais, meio de esquerda.

Um dos principais criadores desse movimento (chegou a ser chamado assim na época) é o Luiz Tatit, que eu considero a figura mais interessante daquele bando. Ele é um compositor-intérprete elaborado e preciso. Não é vituoso, nem exagerado. Também não é óbvio, afinal a música deles nem era considerada música por muitos. Mas ele ilustra o conceito que defende em cada nuance de qualquer composição - taí, ele é consistente e fiel (ao conceito). Não é genial, nem essencial, mas é constante.

Pra começar, recomendo que busquem no YouTube os vídeos do Rumo. Há vários lá, pois recentemente lançaram um DVD com revivals, mas acho que as músicas que melhor ilustram o estilo são Carnaval do Geraldo, Delírio, Meu e a sensacional Essa é pra acabar!. Detalhe importante: quem canta nesses vídeos é a Ná Ozetti - que eu não suporto! O próprio Tatit cantando é imensamente melhor.

Recentemente, o Luiz Tatit e o Paulo Tatit (sim, claro, são irmãos) partiram pra caminhos distintos, mas semelhantes. O Luiz (é o de barba) tem gravado álbuns-solo, mantendo sua constante qualidade de cantar falando. O Paulo liderou um grupo que tentou modernizar o conceito, mantendo seu cerne sob uma carcaça renovada, conhecido como Palavra Cantada. Acho que ambos merecem posts específicos, portanto, paro por aqui - pra não perder o Rumo...

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Intronizado na alma a marteladas


Alma (1986)
Egberto Gismonti

Lembrei-me ontem do impacto exercido sobre a minha alma pelo álbum homônimo que o multiinstrumentista fluminense Egberto Gismonti entregou ao mundo em meados dos anos 80. Eu tinha 14 anos, comprei o LP sem saber direito o que ia encontrar. Mas o efeito foi estrondoso, desde o primeiro acorde - um rotundo ré bemol martelado no piano sob a fúria de Baião Malandro, faixa de abertura do álbum, uma das minhas faixas preferidas e uma das mais famosas do compositor.

Eu nunca tinha ouvido nada daquela natureza no piano e, confesso, este instrumento nem era o que mais me movia o espírito - lembrem-se que sou violonista desde o berço. Mas a interpretação às vezes exagerada, às vezes enigmática desse compositor filho de árabe e italiana fez-me ouvir o som do piano e a música instrumental de forma diferente. Havia ali um pouco de cada influência visível no músico: a grandiloquência das harmonias italianas; as intempéries provocativas das escalas mouras; o uso de clichês melódicos do cancioneiro popular brasileiro; e um visual cigano peregrino, situado em algum sítio entre Cádis e a costa Amalfitana.

Virei fã desse músico hermético, virtuoso e recorrente - minha maior crítica é sua repetição desenfreada de composições em seus álbuns. Comprei os títulos que encontrei, driblando a dificuldade de serem quase todos editados por um selo europeu alternativo que vendia seus discos no Brasil a preços proibitivos. O advento da pirataria semi-consentida dos mp3 permitiu-me completar a coleção de mais de 45 álbuns próprios.

Náo tenho a pretensão nem o intuito de convercer ninguém a gostar do Egberto da mesma forma que eu. Mas se você só tiver disposição para ouvir um álbum dele, ouça Alma e não se arrependerá. E se só quiser investir 10 minutos com este estranho músico, ouça Palhaço e 7 Anéis. Isso pode mudar a sua vida.

Incerteza e fantasia na telona

Dois filmes da temporada que qualquer pessoa com cérebro e coração não pode perder:


O curioso caso de Benjamin Button (2008)
David Fincher

Cate Blanchet e Brad Pitt estão muito convincentes em personagens nada comuns. Efeitos especiais ajudam a manter a fantasia pulsando até o final previsível mas emocionante. Inconformismo no início de uma vida de idoso e tristeza no fim de um ancião prenatal eram esperados, mas a habilidade no trato dos desencontros do meio do caminho fizeram o diferencial emocional da versão cinematográfica do conto.


Dúvida (2008)
John Patrick Shanley

Meryl Streep e Philip Seymour Hoffman são a dupla monástica mais espetacularmente bem interpretada que eu vi no cinema. Personagens bastante comuns mas interpretados com brilhantismo e respeito. História complexa, com poucos personagens, que poderia ter sido feita no teatro sem prejuízo algum para o enredo. Vamos ver quem vai levar os outros Oscares porque o de melhor atriz é dela (senão é marmelada).