Li nesta reportagem do Estadão que a nova febre (literalmente, vocês vão entender por quê) em Nova Iorque é que as academias de ginástica estão aumentando a temperatura das salas de aula para transformar a experiência esportiva em uma atividade mais extrema.
Os adeptos desta moda praticam as mais variadas modalidades esportivas sob temperaturas que chegam a 43 graus celsius. Eles garantem que a musculatura fica mais flexível, economizam tempo com o aquecimento e experimentam uma desintoxicação sem precisarem de sauna a vapor.
Ao mesmo tempo, ignoram os prejuízos do aumento exagerado da temperatura corporal e dos riscos a que ficam expostos por ficarem sujeitos a desidratação.
Quem me conhece sabe que não sou adorador de práticas esportivas, muito menos das radicais. Mas acho que as pessoas estão ficando cada vez mais idiotas. Essa necessidade de viver tudo de forma extrema, de fazer as coisas de forma multitarefa, de transformar todas as situações em demonstrações de atitude já começam a dar sinais de saturação.
Espero ver o tempo em que esse exagero vai ser percebido e ridicularizado por uma nova geração que traga de volta a ponderação como valor central das decisões em sociedade.
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domingo, abril 01, 2012
segunda-feira, junho 13, 2011
sábado, março 05, 2011
Teorizando sobre a vida de casal (com um pouco de culinária)
Quem me conhece sabe que gosto de comer bem e bastante. Sabe também que cozinho direitinho e há muito tempo. Não por ter sido uma espécie de mestre cuca mirim, mas porque em casa tanto meu pai como minha mãe estavam sempre entre panelas e caçarolas, e a referência masculina na cozinha era constante para mim e para meu irmão.
Como gourmand (usando os dois significados possíveis, o de apreciador de alta gastronomia e o de glutão), assisto a vários programas de culinária, sempre aprendendo algo novo (ou amplificando meu apetite). Num desses programas, mais cômico do que prático, o Claude Troiglos conduz uma espécie de concurso de novatos na cozinha e os ensina, um por programa, a preparar um prato específico para o chef e para a família do candidato ou candidata. Quem prova, avalia e critica o cozinheiro aprendiz, além conta casos interessantes e embaraçadores.
Embaraçador mesmo, ao meu ver, mais do que qualquer desastre durante o preparo do prato, é a exposição de mazelas horríveis de alguns casais. Aconteceu no episódio da Lazanha de Coelho, em que uma garota de seus vinte e poucos anos tenta conquistar o noivo, de idade semelhante, a casar-se com ela logo. O motivo é que o noivado desse casal de Porto Alegre tem se estendido demais porque o rapaz se recusa a abandonar a mãe, cozinheira de mão cheia, pela noiva, que tem grande dificuldade na manipulação de alimentos, temperos e utensílios culinários.
Achei meio patético esse casal. Sei que havia nessa história muito de brincadeira, que eles pareciam felizes e compatíveis, mas todos os depoimentos eram consonantes e pareciam verdadeiros no sentido de haver uma cobrança por determinada distribuição sexista de tarefas. O rapaz diz que não faz sentido abandonar uma casa onde se alimenta bem para ir morar com a noiva incapaz de fornecer refeições à altura de sua expectativa. Diz que a mãe tem que preparar comida para ele levar, quando é dia do casal passar a noite juntos. Ou então ele faz um "lanche" antes de jantar com ela. Argumenta que "homem gosta de comer bem, que uma mulher que cozinhe bem tem algo a mais". E a moça entende o pedido, acha normal. Acredita que precisa mesmo aprender a criar pratos que agradem o noivo, como se isso fosse sua única credencial para o casamento. Sua única defesa confirma a necessidade imposta: "ele não vai casar com a mãe dele, vai ter que se acostumar a comer a minha comida".
Sei que os gaúchos são ainda muito provincianos e que isso é apenas TV, mas ainda vejo muita gente, nos dias de hoje, ecoando esse modelo arcaico de distribuição rígida de tarefas entre o casal. E as pessoas não se esforçam nem para mudar, nem para esconder esse comportamento detestável. O importante, no caso do programa, foi o desfecho: ela conseguiu que ele concordasse publicamente em se casarem dentro de um ano, próximo das férias dele, quando fariam a lua-de-mel num lugar dos sonhos. Dos sonhos dele, que queria ver o Internacional jogando uma final, sei lá onde... Agora sim, um casal bem resolvido.
Como gourmand (usando os dois significados possíveis, o de apreciador de alta gastronomia e o de glutão), assisto a vários programas de culinária, sempre aprendendo algo novo (ou amplificando meu apetite). Num desses programas, mais cômico do que prático, o Claude Troiglos conduz uma espécie de concurso de novatos na cozinha e os ensina, um por programa, a preparar um prato específico para o chef e para a família do candidato ou candidata. Quem prova, avalia e critica o cozinheiro aprendiz, além conta casos interessantes e embaraçadores.
Embaraçador mesmo, ao meu ver, mais do que qualquer desastre durante o preparo do prato, é a exposição de mazelas horríveis de alguns casais. Aconteceu no episódio da Lazanha de Coelho, em que uma garota de seus vinte e poucos anos tenta conquistar o noivo, de idade semelhante, a casar-se com ela logo. O motivo é que o noivado desse casal de Porto Alegre tem se estendido demais porque o rapaz se recusa a abandonar a mãe, cozinheira de mão cheia, pela noiva, que tem grande dificuldade na manipulação de alimentos, temperos e utensílios culinários.
Achei meio patético esse casal. Sei que havia nessa história muito de brincadeira, que eles pareciam felizes e compatíveis, mas todos os depoimentos eram consonantes e pareciam verdadeiros no sentido de haver uma cobrança por determinada distribuição sexista de tarefas. O rapaz diz que não faz sentido abandonar uma casa onde se alimenta bem para ir morar com a noiva incapaz de fornecer refeições à altura de sua expectativa. Diz que a mãe tem que preparar comida para ele levar, quando é dia do casal passar a noite juntos. Ou então ele faz um "lanche" antes de jantar com ela. Argumenta que "homem gosta de comer bem, que uma mulher que cozinhe bem tem algo a mais". E a moça entende o pedido, acha normal. Acredita que precisa mesmo aprender a criar pratos que agradem o noivo, como se isso fosse sua única credencial para o casamento. Sua única defesa confirma a necessidade imposta: "ele não vai casar com a mãe dele, vai ter que se acostumar a comer a minha comida".
Sei que os gaúchos são ainda muito provincianos e que isso é apenas TV, mas ainda vejo muita gente, nos dias de hoje, ecoando esse modelo arcaico de distribuição rígida de tarefas entre o casal. E as pessoas não se esforçam nem para mudar, nem para esconder esse comportamento detestável. O importante, no caso do programa, foi o desfecho: ela conseguiu que ele concordasse publicamente em se casarem dentro de um ano, próximo das férias dele, quando fariam a lua-de-mel num lugar dos sonhos. Dos sonhos dele, que queria ver o Internacional jogando uma final, sei lá onde... Agora sim, um casal bem resolvido.
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